segunda-feira, 26 de julho de 2010

Portugal Maçónico 4

Portugal Maçónico 4


O movimento Republicano sempre foi liderado pela Maçonaria que na sua ganância megalómana pelo poder, instauraram a República tendo usado de homicídios para o fazer.
Quando digo que os Republicanos eram liderados pela Maçonaria, claro que me refiro aos elementos da sua facção mais radical, a Carbonária.
Após a usurpação do poder por base de assassinatos, a Carbonária foi honrada pelos seus crimes ao ver as cores da bandeira tornarem-se, na nova Bandeira de Portugal, irei demonstrar isso no proximo capitulo

Logo no ano seguinte ,1911, a Maçonaria, iria demonstrar ás outras Nações ( a Maçonaria domina a maioria dos Países Ocidentais ) todo o seu poder, em forma de Ritual.
Muitas das cerimonias que países apresentam, apesar das pessoas não compreenderem o que se passa, são formas de Ritual tal como foi demonstrado na Serie Veritas .


A 5 de Outubro de 1911, chegou a Portugal, mais precisamente a Lisboa, de forma simbólica a Deusa da Democracia e da Liberdade, veio anunciada por Hermes, o mensageiro dos Deuses Gregos, trazendo este na Mão, uma tocha, empunhada como na Estatua da Liberdade dos E.U.A.
Vinha sentado, dando excelência a Deusa…vieram num barco que no sentido figurativo, partira da Guerra Civil Americana, passara pela Revolução Francesa, chegando ao nosso país no 1º aniversário da Instauração da República em Portugal, representado num carro alegórico apresentado pela Maçonaria no cortejo que se passeou naquele dia, pelas ruas e avenidas da Capital Portuguesa.


Carro do Comércio- Hermes sentado empunhando a tocha e a Deusa da Liberdade e Democracia de pé
( Arquivo Histórico de isboa )

Naquele carro alegórico, a Deusa da Democracia trazia ainda a aparência daquela Deusa da Democracia e da Liberdade que guiava o povo na Revolução Francesa de Eugene Delacroix.


A Deusa da Liberdade o povo por Eugene Delacroix

O Deus Hermes, o mensageiro dos Deuses Grego, por sua vez empunhava a Tocha, um Símbolo Maçónico Internacional, de forma em tudo semelhante ao modo como a Deusa da Liberdade e da Democracia empunha ainda hoje, a tocha nos E.U.A, naquela que é conhecida como a Estatua da Liberdade - uma oferenda da França àquele país, como podemos constatar nesta foto de 1886,ano em que ela ainda está em Paris a ser construída.


A Estatua da Liberdade em construção em 1886

Proximo capitulo- Portugal Maçónico 5

sábado, 24 de julho de 2010

Portugal Maçónico 3

Portugal Maçónico 3

Em 1802 tinha sido a Fundação da grande loja maçónica Portuguesa o Grande Oriente Lusitano, portanto aquando da Invasão Francesa, já muitas informações haviam passado entre um dos lados e outro.
A partir  deste momento e após a presença do «partido francês», no governo português, é reforçada com a ascensão de António de Araújo Azevedo à Secretaria dos Negócios Estrangeiros.

A 11 de Dezembro de 1804, é efectuado o Tratado de amizade e fraternidade entre as duas obediências: os Grandes Orientes de França e Portugal.
Em 1816, Foi eleito 3.º Grão-Mestre da Maçonaria Portuguesa Gomes Freire de Andrade. A eleição reflecte o prestígio do ex-comandante da Legião Portuguesa.
Portanto,já aqui se notava a influênçia que a Maçonaria exercia sobre cargos decisivos no aparelho de Estado.
Em 1817 a criação em Lisboa da conspiração da Sociedade Secreta e paramaçónica revolucionária (Supremo Conselho Regenerador de Portugal, Brasil e Algarves), com o objectivo de afastar Ingleses e outros estrangeiros do controlo militar do país e de promover a «salvação e independência» de Portugal através da formação de um novo governo. Os membros desta sociedade eram, na sua maioria, militares regressados a Portugal, depois de prestarem serviço no exército Napoleónico, e Maçons, como carismático grão-mestre, general Gomes Freire de Andrade.
A teia revolucionária é descoberta pelas autoridades Portuguesas e Inglesas e os seus responsáveis são severamente julgados, sendo deportados, exilados e, os mais importantes, condenados à morte e executados por enforcamento, o que veio a acontecer ao General Gomes Freire de Andrade, tido como o líder da conspiração...

Após esta descoberta, em Março, sai um Alvará publicado por ordem dos governadores de Lisboa, depois do consentimento do rei D. João VI, proibindo as sociedades secretas, em Portugal, esta medida social integra-se no contexto da política repressiva das autoridades portuguesas e inglesas contra os partidários da mudança para um regime liberal, genuinamente português.

Após quase todo o Sec XIX entre tomadas de poder e varias invasões por parte dos franceses em Agosto de 1897 dá-se a criação da Carbonária Portuguesa por António Augusto Duarte da Luz Almeida. Associação paralela da Maçonaria, esta pretendia ser uma agremiação filantrópica, filosófica, mutualista e apartidária, aquela apontava para a prossecução de objectivos politico-conspirativos. Parece ter sido introduzida em Portugal após a Revolução de 1820, tendo tido grande actividade durante a primeira metade do século, altura em que entra num longo marasmo até ao início da década de 90. Renasce com a indignação nacional subsequente ao Ultimatum Inglês e progressivamente vai-se aproximando dos meios anarquistas e republicanos radicais. Estará por detrás da tentativa de implantação da República em 1908 e dos acontecimentos de 1910.
Entre 1900 e 1906, os vários ministérios enveredaram por caminhos de centralização e repressão do poder. Num total de sete anos e nove meses, as Câmaras mantiveram-se encerradas durante seis anos e três meses. Para além do encerramento das Câmaras, procedeu-se ainda a supressão de jornais, dissolução de câmaras municipais, intervenção violenta das polícias, deportação para as colónias de anarquistas, etc.”,

Realiza-se, em Coimbra, o Congresso do Partido Republicano. No princípio do século, os efeitos da repressão monárquica, por um lado, e as dissidências no seio do partido, por outro, levaram a alguma quebra de actuação no movimento republicano. Desta forma, no Congresso de Coimbra, foram retirados os poderes ao Directório e entregues a três juntas directivas (norte, centro e sul), medida que parece ter animado, de alguma forma, os organismos de base. A agudização dos conflitos sociais, momento propicio à acção da propaganda, irá favorecer ao longo da década o esforço de reorganização do partido.

A 28 Janeiro de 1908, Dá-se a tentativa de golpe revolucionário para derrubar a Monarquia. A acção repressiva da ditadura provocara uma mudança na definição da estratégia do Partido Republicano. Gradualmente, a linha que defendia a acção revolucionária imediata foi ganhando terreno face a linha mais moderada. Esta redefinição de estratégia leva a aliança com outras forças das quais se destacam a Carbonária, entre os civis, e a Corporação dos Sargentos, entre os militares. Uma denúncia levou a prisão dos principais chefes: Luz de Almeida, Afonso Costa, Egas Moniz, João Chagas, e António José de Almeida, que mantivera Os contactos entre o Directório do Partido Republicano Português e a organização revolucionária. Privado dos seus principais chefes, o movimento veio para a rua mas foi sufocado pelas forças fiéis ao governo

Fevereiro de 1908, o ano iniciara-se com a prisão indiscriminada de vários chefes republicanos e Maçons(António José de Almeida, Afonso Costa, etc.). A agitação que se ia tornando irreprimível, a ditadura continuava a responder com a repressão.

No Terreiro do Paço o rei D. Carlos e o Príncepe Real são abatidos a tiro.

Lisboa, 1 de Fevereiro de 1908

Eram 5 e 30 da tarde, quando a carruagem que transportava o rei, a rainha e os príncipes, regressados de Vila Viçosa, voltava do Terreiro do Paço para a Rua do Arsenal, soaram tiros. Um popular aproximou-se da carruagem descoberta e desfechou uma carabina sobre o rei. A rainha, o príncipe real D. Luís Filipe e o infante D. Manuel levantaram-se para proteger D. Carlos mas dois novos tiros disparados por outra individuo atingiram mortalmente D. Luís Filipe. D. Manuel ficou ferido num braço. A rainha procurou afastar os agressores, o cocheiro fustigou os cavalos e entrou, com a carruagem crivada de balas, no pátio do Arsenal.
Os regicidas, Manuel da Silva Buíça e Alfredo Luís da Costa, foram imediatarnente abatidos. Um oficial de ourives, José Sabino Costa, que ia colocar uma carta no correio, foi tido também como regicida e morto por engano.
Os vários tiros disparados no local feriram alguns populares, que tiveram de ser socorridos.
À noite, os cadáveres do Rei e do príncipe foram levados, sob escolta, para o Palácio das Necessidades, onde foram recebidos pelo médico de serviço, D. Tomás de Melo Breyner.

TODOS FALAM MAS...NINGUÉM SABE !
Lisboa, 16 de Março de 1908



O regicidio tem dado origem às mais desencontradas versões. O presidente do Conselho de Ministros, Ferreira do Amaral, informa D. Manuel das diligências que as autoridades efectuaram para apuramento dos factos: «Tem-se chamado a depôr sobre o crime de 1 de Fevereiro toda a gente que, em jornais ou conversas, diz saber muita coisa, mas que chega ao interrogatório e responde que repetiram boatos e nada de positivo se apura. Dizem que havia mais do que os dois assassinos mortos metidos no complot; quando se lhes pergunta quem eram nada afirmam, nem sequer a cor do fato dos que a mais diziam existir. Clarissimamente não há dúvida de que não eram só dois; o que facilmente se apura do tiroteio havido, mas também tal tiroteio em parte pode ser atribuído a confusão de uma situação que não era presumível, dados os hábitos dos portugueses. Tudo isto é para Vossa Majestade ficar certo de que se não tem querido encobrir pessoa alguma, como parece que alguém tem interesse ( claro que a Maçonaria tinha todo o interesse) que se diga, uma vez que insinuam em conversas e até em sueltos jornalísticos.
Espalhou-se um boato de que houvera um inglês que dizia a toda a gente que o assassino Buiça tinha num banco em Inglaterra 6000 libras as suas ordens. Pergunta-se quem é esse inglês e ninguém o diz; pergunta-se qual é a figura, estatura ou idade provável desse inglês e ninguém sabe; insta-se para que se diga que sítios frequenta e nada se apura e nada se responde, e o inglês continua a ser um mito, uma razão para um boato, para cansar a polícia em indagações. Chego a persuadir-me que são os próprios assassinos cúmplices que propalam os boatos para desnortear os juizes

O regicídio na imprensa estrangeira

Roma, 17 de Novembro de 1909
O jornal Corriere d’Italia escreve um texto sobre os acontecimentos políticos em Portugal, onde se afirma:
«O Buiça e o Costa eram republicanos militantes: trabalhavam nas últimas filas dos revolucionários.
Livres pensadores, pertenciam à sociedade de propaganda donde teram saído todos os criminosos políticos. Homens de acção, pertenciam a uma loja secreta, a Montanha”, misto de instituição maçónica e de comité revolucionário, sem local fixo e sem estatutos, que se reúne a um simples convite dos jornais da seita, ninguém sabe aonde e que se compõe de homens capazes de tudo. Tudo deixa crer que o regicidio foi ali deliberado e que, como é costume, os executores foram tirados à sorte, visto que apenas o sorteio explicava a escolha de um dos regicidas, cujo passado se não ilustra com actos de grande coragem individual.
Não se chegou a apurar quem foram os cúmplices da emboscada e, se porventura se tentou esclarecer o caso, acabaram por concluir que era melhor guardar silencio sobre ele

Em Março a queda do ministério de João Franco, que não resistiu aos ataques da oposição, por um lado, e as vozes que começavam a responsabilizá-lo pelo regicídio, devido à publicação do Decreto de 31 de Janeiro, por outro. No dia 5 de Fevereiro seguiu para o exílio abrindo caminho á Constituição do ministério de Ferreira do Amaral. O primeiro gabinete da chamada aclamação. O novo ministério libertou os presos políticos, autorizou o regresso dos exilados, reconduziu as câmaras municipais, enfim, anulou as medidas mais contestadas do anterior governo.
5 de Abril, realização de novas eleições. O regicídio, e consecutiva subida ao trono de D. Manuel II, trouxeram consigo a demissão do ministério de João Franco. O governo do Almirante Ferreira do Amaral era constituído por membros dos partidos tradicionais (regeneradores e progressistas), e alguns independentes. Caracterizou-se, como já referimos, por uma relativa brandura e transigência; o que permitiu o crescimento rápido do movimento republicano que saiu institucionalmente reforçado após as eleições (elegeu 7 deputados). No entanto, as esperanças de que a breve trecho o partido viesse a ascender ao poder por via eleitoral, eram praticamente nulas.

Em Abril é também a realização do 1 Congresso Nacional do Livre Pensamento, em Lisboa. Grupo não católico (à semelhança de outros como a Maçonaria, a Junta Liberal, a Associação Propagadora do Registo Civil, fundada em 1895, etc.), que se intitulava sem religião, tinha como objectivo fundamental o combate ao clericalismo, tendência que, como já referimos, se encontrava em franca ascensão.
O Republicano Consiglieri Pedroso é eleito presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa, uma importante instituição científica. O movimento Republicano, para além de politicamente forte, tendia a dominar as mais importantes instituições de cultura, onde a Maçonaria infiltrava todos os seus homens de confiança.
Em Dezembro, dá-se a queda do governo de Ferreira do Amaral. O novo governo assentava numa coligação e era chefiado pelo regenerador dissidente Campos Henrique.

A 24 e 25 Abril," veja-se novamente a coincidençia com datas" , é feito o congresso do Partido Republicano Português realizado em Setúbal onde, pela primeira vez, esteve representada uma organização feminina, a recém criada Liga Republicana da Mulheres Portuguesas. O crescimento da facção que defendia a acção revolucionária era tal, que do congresso saiu um novo Directório a quem foi confiado o mandato imperativo de fazer a revolução. Eram seus membros efectivos Teófilo Braga, Basilio Teles, José Relvas, Eusébio Leão e Cupertino Ribeiro dos reis, os meses que mediaram entre o congresso de Setúbal e a Revolução de 5 Outubro, multiplicaram-se os trabalhos de organizaçao do movimento para evitar que se repetissem os malogros de 1891 e 1908.
Ao Directório foi cometida a tarefa de negociar um comité revolucionário, do qual faziam parte João Chagas, Afonso Costa, António José de Almeida e Cândido dos Reis.
A comissão executiva da Junta Liberal organiza uma manifestação popular que congrega mais de 100 mil pessoas. Organização paramaçónica de propaganda liberal, a Junta foi fundada em 1900 com o objectivo de combater o clericalismo. Tendo à sua frente homens como Miguel Bombarda, António Aurélio da Costa Ferreira, Egas Moniz, Cândido dos Reis, etc., desenvolveu intensa actividade na propagação dos ideais republicanos, liberais e progressistas.
Realização, no Porto, do Congresso do Partido Republicano.
O congresso foi dominado pelo receio de que Inglaterra não aceitasse a implantação da República em Portugal, foi assim eleita uma comissão para sondar as potências europeias sobre a questão.
A 14 de Junho, a Maçonaria decide, em assembleia geral, nomear uma comissão de resistência» encarregada de colaborar de forma mais activa com a Carbonária. Dessa comissão faziam parte, José de Castro, Miguel Bombarda, Machado Santos, Francisco Grandela entre outros. António José de Almeida e Cândido dos Reis são os representantes do Directório republicano.

Então a 4 de Outubro de 1910, os cruzadores S. Rafael e Adamastor bombardeiam o Palácio das Necessidades e o Rossio. A escolha dos primeiros dias de Outubro, nomeadamente o dia, para realizar a revolução dependeu da presença no Tejo de algumas unidades navais, consideradas indispensáveis para o êxito das operações. O sinal para o início das operações, deveria partir exactamente dessas unidades navais, ao qual responderia Artilharia I. Mercê de alguma desarticulação entre os vários intervenientes no processo, o sinal não chegou a ser activado, pelo que, face a informações desmoralizadoras e perante o malogro iminente da acção, Cândido dos Reis suicida-se na madrugada do dia 4 de Outubro.
Perante incertezas e hesitações as forças revoltosas concentraram-se na Rotunda, local onde, durante a manhã, foram chegando inúmeros efectivos civis armados pertencentes a Carbonária e comandados por Machado Santos, bem como militares rebeldes que iam engrossando e moralizando o acampamento. O bombardeamento dos navios estacionados no Tejo ao Palácio das Necessidades e ao Rossio, e o receio de um desembarque em massa, acentuou o desequilibro de forças a favor dos revoltosos. Durante o resto da noite de 4 para 5 de Outubro, as forças monárquicas vão esmorecendo.

Em face do desenrolar dos acontecimentos, o Rei foge para Mafra, embarcando depois na Ericeira em direcção a Gibraltar e a Inglaterra, os contactos entre a Maçonaria Portuguesa e Inglesa


A PRIMEIRA REPÚBLICA, O FILME DOS ACONTECIMENTOS
 3 de Outubro de 1910

20 horasO Almirante Cândido dos Reis, Afonso Costa, José Relvas, João Chagas, António José de Almeida, Eusébio Leko e outros conjurados republicanos reúnem-se na casa da mãe de Inocêncio Camacho, na Rua da Esperança, 106, 3º.
Foi combinado, de acordo com planos já estabelecidos, que a revolução comecaria a 1 hora da madrugada, com uma salva de 31 tiros disparados de navios de guerra surtos no Tejo. As guarnições desembarcariam depois para iniciar em terra a revolta.
24 horas – Os conjurados reúnem-se no balneário de S. Paulo.

4 de Outubro
1 Hora e 20 – Soam tiros. Contaram-nos. Não eram 31. Pânico entre os revolucionários. Seriam os barcos a pedir auxilio ?
Cândido dos Reis é informado no cais, por um oficial da Armada, de que já havia um regimento na rua, a combater contra civis.
– Afonso Costa, Alfredo Leal e Malva do Vale saem de S. Paulo para Alcantara, para as imediações do quartel de marinheiros que estava previsto revoltar-se. Silêncio no interior. O quartel está cercado por Infantaria 1, Cavalaria 4, Cacadores 2.
– Estão na rua 3000 homens fiéis à monarquia com as baterias a cavalo. Instalaram peças nos sítios altos da cidade: Torel, Graça, Penha, S. Pedro de Alcântara.
– O comissário naval, Machado Santos, com praças da Infantaria 16, de Campo de Ourique, ataca o quartel de Artilharia 1 e apodera-se de algumas peçs.
O capitão Sá Cardoso, com um pelotão de Infantaria 16, leva uma dessas peças para atacar o Palácio das Necessidades.
– Recontros na Rua Ferreira Borges com a Guarda Municipal. – Macliado Santos, com outra foça de Infantarin 16, ataca a esquadra da polícia no Largo do Rato e arma civis.


 5 horas – As forças revoltosas, sob o comando de Machado Santos, descem a Avenida em direcção ao Rossio, são bombardeadas, retrocedem para a Rotunda e fecham as entradas para as Avenidas Fontes e Duque de Loulé.
6 horasCândido dos Reis é encontrado morto na Travessa das Freiras, a Arroios. Suicidio.
9 horasMachado Santos só dispõe de 5 peças de artilharia. Comanda 9 sargentos e 200 homens.
 Numerosos civis armados acorrem à Rotunda para auxiliar os revoltosos.
12 horas e 30 – Caiem na Rotunda as primeiras granadas das baterias de Queluz, comandadas pelo capitão Paiva Couceiro. As forças leais à monarquia fustigam duramente a Rotunda.


14 horasOs cruzadores S. Rafael e Adamastor começaram a bombardear o Palácio das Necessidades. O Governo pediu ao rei, pelo telefone, para se retirar para Mafra. O rei obedeceu. Acompanharam-no o Conde de Sabugosa e o Marquês do Faial. – O tiroteio continua na Rotunda.

5 de Outubro
 6 horas – Fogo dos revoltosos contra as forças do Rossio. De Queluz, as baterias de Couceiro atacam. Começam a desembarcar os marinheiros dos navios de guerra estacionados no Tejo.
8 horas e 30O ministro da Alemanha dirige-se à Rotunda para obter um armisticio, a fim de recolher a colónia Alemã. Leva uma bandeira branca de parlamentário, que a população julga ser o sinal da rendição. Grandes manifestações de alegria popular.


josé Relva ao Varandim

11 horasJosé Relvas, acompanhado por outros revolucionários, proclama a República de uma janela da Câmara Municipal.

A CHAVE DO EXITO
Lisboa, Outubro de 1910

O rápido sucesso do movimento revolucionário que instaurou a República deve-se, em grande parte, a colaboração da Carbonária, sociedade secreta que actua ligada A Maçonaria.
Como membro dirigente da "Alta Venda ", um dos mais importantes centros da Carbonária, Machado Santos aliciou muitos revolucionários entre praças, sargentos, marinheiros, operários, estudantes, populares em geral.
O plano de acção foi cuidadosamente montado, como revela, em entrevista a A Capital, José Barbosa, um dos membros do Directório do Partido Republicano: «A aperação agregaora representa um esforço extraordinário. Coincidiu com uma fase activissima da Carbonária, que contava no seu seio, por interferência propagandista do engenheiro Silva, soldados, cabos e sargentos de toda a guarnição da capital. Precisávamos, em cada regimento ou em cada navio, de relacionar os oficiais republicanos com as praças aderentes. Procedeu-se cautelosamente a esse serviço, pondo primeiro em contacto um oficial com um sargento e, depois, o sargento com determinado número de cabos e soldados

A República por telégrafo
Lisboa, Outubro de 1910
A noticia da aclamação da República foi rapidamente transmitida a todo o Pais. Não houve resistência. As populações aderiram entusiasticamente ao movimento de Lisboa, com toda a normalidade. Constituíram-se comissões municipais electivas republicanas locais e iniciou-se a substituição de símbolos do anterior regime. No Barreiro, a Avenida D. Luis Filipe passa a denominar-se Avenida da República e a Rua Conselheiro Serra e Moura passa a ser Rua Almirante Carlos Cândido dos Reis.

No Porto, a aclamação foi triunfal.
O vereador mais antigo, Dr. Nunes da Ponte, leu da varanda central dos Paços do Concelho o texto da proclamação e declarou «perpetuamente abolida a dinastia de Bragança».
Segundo noticia o Primeiro de Janeiro, «milhares e milhares de pessoas de todas as classes invadiram as salas da Câmara e foram cumprimentar os vereadores, levando em triunfo alguns sargentos e soldados que se encontravam no meio da multidão.
Foi uma manifestação grandiosa, imponentissima».

A República no outro lado do rio
Lisboa, 5 de Outubro de 1910
O plano revolucionário teve fortes apoios na Outra Banda. Segundo Machado Santos, «os republicanos do Barreiro deviam apoderar-se do vapor da carreira, cortar as comunicações com Lisboa e vigiar a beira-mar.
Na Escola de Torpedos, em Vale de Zebro, existiam cerca de 2000 armas e 100 000 cartuchos. Se a revolução não vingasse em Lisboa, a margem sul do Tejo, com o auxilio da Marinha, tornava invencível o movimento.
Setúbal, sob a direcção do Dr. Leão Azedo, com o auxilio da canhoneira, Zaire, devia também proclamar a República».
O projecto foi cumprido. Grupos de civis sabotaram os barcos de passageiros D. Amélia e D. Afonso. As comunicações ficaram interrompidas e Lisboa isolada.
A operação em Vale do Zebro foi mais demorada. Os oficiais e marinheiros só se renderam depois de a Junta Revolucionária do Barreiro ter conseguido fazer atracar o rebocador Vitória ao cruzador revoltoso, S. Gabriel.

Pela telegrafia seguiu a ordem para Vale do Zebro: «Queiram render-se e proclamar a República.»

Os oficiais cederam, finalmente. Os tenentes Stockler e Santos Pato, ligados ao movimento revolucionário, assumiram o comando dos torpedeiros e conduziram-nos para Lisboa, junto dos cruzadores Adamastor e S. Rafael.
12 horas e 30. No Barreiro, o povo ouvia Ricardo y Alberty e João dos Santos Pimenta, membros da Junta Revolucionária local, proclamar a República

È constituido 1º gov provisório presidido por Teófilo Braga ( Maçon ), professor da Universidade de Lisboa. A morte de Miguel Bombarda (assassinado na madrugada e 3 para 4 de Outubro), e de Cândido dos Reis (que se suicidou na noite do diz 5 após a chegada de notícias desmoralizadoras face a forma como decorriam os acontecimentos), e o afastamento de Basilio Teles, desguarneceram as possibilidades de constituição do elenco governativo. A escolha de Teófilo Braga, praticamente protagonizada por Afonso Costa, viria a ser polémica entre os membros do Directório. Reservas e aposições viriam ainda a ser manifestadas pelos membros da Carbonária, a quem nenhuma pasta fora atribuída. Seja como for, em menos de um ano, o governo provisório conseguiu cumprir alguns dos pontos principais do programa republicano, bem como consolidar o novo regime, assegurar a ordem pública interna e alcançar o reconhecimento por parte das potências estrangeiras.



Logo no dia 8 de Outubro, o Governo vulgo a Maçonaria,imitando o Marquês de Pombal,efectua e ordena a Publicação dos decretos que instituem a expulsão dos jesuítas e o encerramento dos conventos. São expulsas de Portugal as ordens religiosas. Sendo a laicização do Estado e da sociedade um dos temas fundamentais da propaganda republicana, aliás, monarquia e clericalismo confundiam-se, não admira que uma das primeiras medidas a ser tomadas tivesse como pano de fundo a questão religiosa
Tentando erradicar com rapidez os vestígios do regime deposto o governo provisório tomou algumas medidas, a saber: abolição do Conselho de Estado e da Câmara dos Pares, demissão de funcionários da Casa Real, abolição de títulos, distinções e direitos de nobreza, adopção de uma nova bandeira e hino nacionais, entre outras medidas de carácter liberal, entretanto contrariadas pelo franquismo.
No dia 10,é criada a Guarda Pretoriana do Governo, a Guarda Républicana mais tarde iria dar origem a
Guarda Nacional Republicana, e extingue a Guarda Republicana de Lisboa e Porto. Ao ser proclamada a República as Forças militarizadas portuguesas consistiam na Guarda Municipal (criada em 1834 e regida pala legislação de 1890), a Guarda Fiscal (regida por decreto de 1901 a 1908) e a Polícia Civil de Lisboa. A GNR, extensiva a todo o país, tinha como funções velar pela segurança pública, policiando povoações, estradas, pontes, vias férreas, linhas telegráficas e telefónicas, etc., arcando com o exclusivismo militar das forças armadas. Foi durante anos a guarda pretoriana do novo regime. Depois de 19I9, e até 1922, a GNR conheceu uma significativa ampliação e capacidade de intervenção na vida pública, Fazendo e desfazendo ministérios e impondo a sua vontade, se necessário, pela força das armas.



26 de Outubro - Decreto que aprova os estatutos da Academia de Ciências de Portugal. Fundada em 1907 por acção de Teófilo Braga, a Academia tentava colmatar alguma quebra de produção científica da Academia de Ciências de Lisboa, bem como um certo elitismo (de outra ordem que não eminentemente científico, em que esta havia caído. Tendo como grande objectivo o progresso e a integração filosófica dos principais ramos da saber humano, a Academia viria a ter o seu Regulamento Geral em 27 de Janeiro de 1911. Não tendo correspondido inteiramente ao que dela se esperava, não sobreviveu muito tempo a morte de Teófilo Braga (1924).

1 de Dezembro, Inauguração da Bandeira Nacional Republicana, segundo o modelo de Columbano Bordalo Pinheiro... mais tarde falaremos sobre esta Bandeira e suas cores.

A 22 de Maio de 1911 é criado o decreto que institui o escudo como moeda oficial, em substituição do real. Medida que se insere nas preocupações do governo provisório, em marcar a transição do novo regime com a alteração dos principais símbolos do Estado, por forma a criar uma barreira psicológica que dificulte qualquer “restauração”. O escudo dividir-se-ia em cem partes iguais, denominadas centavos. Não se tratava, portanto, de uma reforma monetária, mas somente de uma alteração do processo de conta

Novos símbolos nacionais
Lisboa, 19 de Junho de 1911
Foram fixados por decreto a forma e as cores da bandeira portuguesa, verde e vermelha, com as armas nacionais inscritas na esfera armilar

Foram discutidos vários projectos, entre outros, o de Guerra Junqueiro, Delfim Guimarães e Roque Gameiro. As opiniões dividiram-se, favoráveis umas ao projecto de Junqueiro, que ainda mantinha o azul e branco, cores tradicionais da monarquia, favoráveis outras a um simbolo totalmente novo.
A comissão oficial, constituída por Columbano Bordalo Pinheiro, Ladislau Parreira, João Chagas e Abel Almeida Botelho, aprovou o modelo que passa a representar Portugal e a República.
A esfera armilar, «padrão eterno do nosso génio aventureiro», alia-se com o vermelho, cor da luta pelo futuro colectivo em agradecimento pelos serviços prestados pela Carbonaria.
A primeira bandeira republicana, fabricada na Cordoaria, foi hasteada no Monumento dos Restauradores. A moeda e o hino também mudaram. O real foi substituido pelo escudo e o hino da Carta pela canção patriótica A Portuguesa, com música de Alfredo Keil.

Claro que tudo isto foi feito de forma ritualistica pela Maçonaria Portuguesa, como explicarei no proximo capitulo.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Portugal Maçonico 2

1ª invasão Francesa

As invasões francesas foram um facto histórico maior, na História de Portugal, do qual deixámos de guardar memória e nem sequer temos como povo, nem sequer a nível das elites, verdadeira consciência das consequências que tais invasões tiveram e que se repercutem até aos dias de hoje. Sim, até aos dias de hoje!
Não sei se prepositado mas que a versão ensinada nas escolas, não condiz muito com esta.

As consequências não foram “apenas” materiais e sociais, foram doutrinárias e sobretudo políticas,vejamos.

Na parte social, as perdas humanas foram enormes e nunca ao certo contabilizadas. Estima-se que cerca de 10% da população tenha perecido não só pela acção inimiga como também pela doença, pela fome e pelo frio. Seriam cerca de 300000 compatriotas nossos, um número inimaginável nos dias de hoje, mesmo tendo em conta que hoje somos quatro vezes mais…

No mais o país ficou arrasado: a agricultura e a pecuária destruídas; os campos talados; os monumentos roubados; igrejas profanadas; cidades, vilas e aldeias incendiadas; território ermado; pontes e outras “obras de arte”, destruídas; população esbulhada e deslocada (estima-se que atrás das Linhas de Torres se aglomeraram cerca de 600000 pessoas!), todas as actividades produtivas desarticuladas.
No campo doutrinário, inocolou-se a Nação com ideias estranhas à sua matriz portuguesa, não se conseguindo ou querido, disseminá-las de um modo progressivo e adequado. A imposição de tais ideias, a maioria oriundas da Revolução Francesa, dividiu a Família Real, a Corte, as Forças Armadas e toda a Nação, dando origem a divisões políticas profundas que ainda se entrechocam nos dias de hoje. A consequência mais profunda desta divisão política foi uma guerra civil intermitente que lavrou durante cerca de 100 anos e só terminou, não completamente, porém, com a Constituição de 1933.

Pelo caminho ficaram dezenas de assuntos da maior importância por arrumar. Tenho esperança que venham a ser arrumadas.

Vamos então tentar perceber como Portugal foi abrasado pela fúria Napoleónica.
«No conjunto presente enquanto as coisas não tomam
jeito, a maior política será o maior disfarce e a melhor
negociação será a de ter boas tropas e bons navios
José da Cunha Brochado
 carta de 28 de Novembro de 1700 a El Rei D. Pedro II

Os poderes em Portugal tinham toda a obrigação de estar mais que avisados dos perigos que ameaçavam o País, tendo em atenção os graves eventos que ocorriam na Europa e no Continente Americano e, em particular, por via das ( Maçónicas ) Inconfidências Brasileiras, da Campanha do Roussilhão e da infeliz Campanha de 1801 desenvolvida contra nós por uma coligação franco-espanhola em que perdemos Olivença, ilegalmente ocupada, desde então, pela Espanha.
Lamento incomodar as consciências dos leitores sobre este ponto, mas não posso deixar de o enfatizar.
E, ainda, porque se deveria ter levado a sério a ameaça de Napoleão quando ao comentar a actuação da esquadra portuguesa, no Mediterrâneo ao lado da Inglesa, afirmou:´

”Virá o tempo que a Nação Portuguesa chorará
 com lágrimas de sangue a ofensa que praticou à República Francesa”.

Mas em vez de tirar as ilações naturais e preparar o país para um conflito mais do que certo, reforçando o Poder Nacional de todas as maneiras possíveis e preparando uma linha de actuação politica e as estratégias económica, militar, diplomática, financeira, psicológica, etc., que a sustentasse, optou-se por se tergevisar e adiar constantemente no caminho a seguir, entregando à Providência Divina a prevenção das desgraças. Não me parece até, que os actuais habitantes deste cantinho ocidental da Europa, tenham aprendido muito com os seus antepassados …

A Revolução Francesa pela dinâmica que criou, tornou a França exportadora de ideologia por atacado. Com a subida ao Poder de Napoleão, aquele país tornou-se imperialista e dispôs-se nada mais, nada menos, do que a subjugar toda a Europa e, naturalmente, todas as suas dependências ultramarinas.
Já aqui existia o sonho da dominação total e da criação de um governo mundial.
Contra a República Francesa, que tinha transformado cada cidadão num soldado e cada soldado num cidadão, levantaram-se diversas coligações, das principais potências europeias habilmente manipuladas pela Inglaterra que, defendida pelo Canal da Mancha evitava comprometer forças suas em solo Europeu, desenvolvendo toda a sua campanha no mar. As coligações foram sendo sucessivamente derrotadas pelo grande cabo-de-guerra corso, numa série de brilhantes batalhas. No mar, no entanto, a sorte era-lhe adversa.
A hora de Portugal chegou, quando Napoleão, na sequência da vitória de IENA, em Novembro de 1806, decretou em Berlim o bloqueio continental, com o que pretendia impedir todo o comércio e comunicação com a Grã-Bretanha. Em seguida, apeou a monarquia espanhola colocando um irmão seu no trono de Madrid,dando origem á falsa Monarquia que hoje existe.
Pela Paz de Tilsit, após a vitória de Friedland, que selava a derrota da Rússia, da Áustria e da Prússia, o auto proclamado imperador dos franceses, fez um ultimatum ao governo de Lisboa (e a outros países) segundo o qual teríamos que declarar guerra à Inglaterra e fechar-lhes todos os portos. E se não o fizéssemos até 1 de Setembro de 1807, o país seria invadido. Estávamos em Julho desse ano. E não contente com isso ainda mandou um “aviso”, a 14 de Agosto, que obrigava Portugal a “oferecer voluntariamente” uma elevada quantia em dinheiro e quatro mil soldados.
Nestas circunstâncias Portugal não tinha grandes escolhas (e já devia saber disso de guerras anteriores!...); ou declarava a neutralidade ou escolhia um dos lados da contenda. Em qualquer dos casos só um milagre evitaria a guerra.
A neutralidade seria o que melhor conviria aos interesses portugueses e por isso ela foi tentada. Mas era irrealista, dado que não é neutral quem quer, mas sim quem tem Poder para o fazer. Ora Portugal não tinha na altura poder suficiente para se interpor entre as duas superpotências da época. Declarar-se ao lado da Inglaterra resultaria numa invasão franco espanhola da Metrópole; mas pôr-se ao lado dos poderes continentais implicaria a perda de todo o Ultramar, de que dependia a sua existência e isso não garantia que a Inglaterra não viesse a desembarcar forças suas na Península, trazendo a guerra à Metrópole.
Por isso parecia lógico que a situação menos má fosse declarar em altura própria, a actualidade da Aliança Inglesa e preparar o país para as consequências possíveis. Nada disto se fez. A Corte e o Conselho de Estado estavam divididos, os embaixadores inglês e francês moviam as suas influências no seu seio e o próprio governo inglês na insidiosa actuação, por vezes pérfida, em que modela a sua diplomacia, nunca foi também claro no apoio que estaria disposto a facultar-nos e quando. O Primeiro-ministro William Pitt, chegou até a responder a um pedido nosso, esta frase sugestiva: “O governo de S. Majestade só ajuda os governos que, em primeiro lugar, se queiram ajudar a si próprios!”

Até ao fim tentou-se tapar o Sol com a peneira e o desespero fez até com que fossem tomadas algumas atitudes de vergonhosa subserviência e apaziguamento, sobretudo relativamente a Paris.

Foi no meio deste ambiente que surgiu a ideia de pôr a família real portuguesa a salvo no Brasil, privando assim Napoleão de deitar mão ao Poder Político português, gorando os seus projectos de domínio de Portugal. Esta ideia teve o apoio, senão mesmo a sua origem, do governo inglês. Pouco se fez, sem embargo, para a tornar viável.

Napoleão soube, em 9 de Outubro de 1807, que o governo português recusava o ultimatum e ordenou a invasão.

Por um golpe de sorte a Corte em Lisboa, soube através de um comerciante português, que tinha passado por Bayonne, da existência do Exército Francês aí estacionado, que se destinava à invasão de Portugal. Mais tarde a informação foi confirmada pelo nosso ministro na capital espanhola.
Tolhidos por uma paralisia incompreensível pouco se ia fazendo para lidar com a situação e só se soube que a invasão se tinha dado quanto Junot estava em Abrantes.

«É necessário estarmos apercebidos para nos defendermos de quem quiser ofender, porque a presteza aproveita às vezes mais que a força nas coisas da guerra. Não descansem os amigos da paz, na que agora gozam, se a querem perpetuar porque os contrários dela, se a virem mansa, levá-la-ão nas unhas.»
Padre Fernando Oliveira (estratega do sec.XVI)

Entretanto, em Lisboa reinava a confusão e o pânico. A Corte dispunha apenas de escassos 15 dias para rejeitar ou aceitar as exigências, resultantes de Tilsit.
Logo no dia 18 de Agosto reuniu-se o Conselho de Estado, tendo apenas um dos conselheiros, D. Rodrigo de Sousa Coutinho, advogando que se “fizesse guerra à França e Espanha … e (quando Portugal) não fosse feliz nas armas passasse a Família Real para o Brasil”; e o conselheiro Thomaz Villanova Portugal, insistiu na saída imediata “para o Brasil do Príncipe da Beira, com o título de Condestável e com tropa, acompanhado das infantas e de dois generais…”.
Os restantes conselheiros inclinaram-se para que Portugalse unisse à causa do Continente e fechasse os portos”.[1]
A 30 de Agosto nova reunião que aprovou a ida do Infante D. Pedro, para o Brasil à excepção de Sousa Coutinho que continuou a “sustentar que se devia fazer a guerra e na retirada, sair toda a Família Real para o Brasil”.
Esta decisão espoletou a preparação de quatro naus destinadas àquela tarefa, no Arsenal de Lisboa. A nau destinada a transportar o herdeiro do trono era a “Afonso de Albuquerque”, navio antigo mas considerado ainda em boas condições.
Logo que esta esquadra ficou pronta o Príncipe Regente decidiu informar os governos da França, Espanha e Inglaterra da decisão do Conselho de Estado. A reacção francesa consubstanciava uma declaração de guerra; a da Espanha mantinha uma contínua ameaça e a da Inglaterra limitava-se a dar conselhos, o mais importante dos quais contemplava a saída imediata para o Rio de Janeiro de toda a Família Real.[2]
Durante o mês de Outubro e face às ameaças francesas, discutiu-se na Corte qual das duas opções seria preferível: apenas a ida do Príncipe Real se de toda a Família, para a segurança das terras brasileiras.
Em Novembro a confusão aumentou, com as perturbadoras notícias chegadas de Espanha e com o exército invasor já em movimento.
A Corte ainda tentou acalmar Napoleão com a oferta de uma espada de oiro guarnecida de diamantes e a promessa de se cumprirem os seus desejos... Mas era tarde demais.
Por este tempo (11 de Novembro) arribou ao Tejo uma esquadra Russa vinda da Turquia, constituída por 9 navios que ninguém duvidou ser consequência do acordado em Tilsit entre a França e a Rússia. O Almirante Russo insistiu em vários propósitos que eram contrários aos tratados em vigor, mas tudo se lhe consentiu. E um oficial russo chegou mesmo a declarar com o maior desembaraço, que se o Príncipe os não deixasse entrar (no Tejo) dentro estava quem lhe abriria a porta…” [3].

Por aqui se pode ver quão longe teria ido a traição entre os portugueses. Estranhamente a esquadra manteve-se apenas espectadora durante todo o desenrolar dos eventos.

A 14 de Novembro uma esquadra Inglesa de cinco navios comandada pelo Almirante Sidney Smith postou-se ao largo da Foz do Tejo ficando a bloquear a costa portuguesa. Uma nova fragata britânica chegou entretanto, entrando no Tejo com a bandeira de parlamentário para levar instruções ao embaixador inglês, Lord Strangford. Este deslocou-se a bordo da força inglesa, tendo regressado a 21 de Novembro à capital, com um exemplar do jornal “Monitor” do dia 11 de Novembro, o qual continha o decreto imperial datado de 27 de Outubro de 1807, pelo qual Napoleão decidira que “a Casa de Bragança deixara de reinar em Portugal”!

O Conselho de Estado votou então pela saída imediata de toda a Família Real para o Brasil, deitando mão a todos os navios de guerra e mercantes surtos no Tejo e que fosse possível aparelhar.
A 24 de Novembro o governo Português deu conta finalmente que Junot estava em Abrantes, quando ainda o julgava em Salamanca. A invasão tinha avançado a 19 de Novembro, entre Segura e Castelo Branco. Em simultâneo um exército espanhol comandado pelo General Taranco, ocupava o norte do País... Os dias seguintes foram de desvairamento na Corte.

E em vez de embarque ordeiro, a ânsia da fuga de todos os filhos de algo do Reino resultou numa confusão indescritível, levando a que se perdessem muitos haveres, se preparassem mal os navios e os sobrecarregassem com todo o tipo de carga e passageiro em demasia. A Família Real embarcou a 27 e com eles uma multidão estimada entre 10 a 15000 pessoas, com todas as riquezas que puderam transportar.
Devido ao mau tempo (factor que deveria também ter sido equacionado com antecedência), a esquadra de cerca de 30 a 40 navios, comandada pelo Almirante D. Manuel da Cunha Sottomayor, só conseguiu largar o Tejo a 29, sendo comboiados por quatro navios de guerra ingleses. Esse foi o dia em que as avançadas do Exército francês, destroçadas e maltrapilhas, conseguiram chegar a Lisboa. Junot no seu desespero ainda avistou os navios ao longe

Todos os navios à excepção de um conseguiram atingir o Brasil numa viagem de dois meses, muito penosa pelas terríveis condições a bordo. A chegada ao Rio de Janeiro só se deu a 7 de Março de 1808. O Príncipe Regente deixou em Lisboa uma junta governativa para receber Junot e indicações para que não se molestasse os franceses, para evitar represálias.

Porém uma delegação da Maçonaria portuguesa tinha-se adiantado e ido saudar em Sacavém, os franceses como... LIBERTADORES

Tinha começado um longo calvário para a Nação Portuguesa.
«Todos os homens dos 15 aos 60 anos se armem,
 cidades, vilas e povoações que se fortifiquem.
Quem o não fizer incorre em pena de morte e as vilas
que franquearem as suas portas serão arrasadas».
Real Decreto de 11/12/1808,
incitando os portugueses a resistirem aos franceses

Afinal a resistência que com tantos receios se quis evitar brotou naturalmente do povo enquadrado pelas pequenas forças militares que restavam.

De facto uma das primeiras medidas de Junot foi licenciar o Exército português e escolher um corpo constituído pelas melhores tropas que não tardou a enviar para França. Constituíam-no seis a sete mil homens (muitos dos quais desertaram) que veio a constituir a Legião portuguesa comandada pelo Marquês de Alorna e que tão valentemente se veio a bater nas campanhas do Centro da Europa.       Apenas cerca de 100 destes bravos regressou a Portugal
Desde cedo a atitude das tropas francesas começou a gerar incidentes e revoltas. O 1º motim sério registou-se quando a bandeira nacional foi arriada do Castelo de S. Jorge e substituída pela francesa!

Em Maio de 1808, deu-se uma insurreição em Madrid contra os franceses. O contingente espanhol que ocupava o Porto prendeu o comandante francês e retirou para a Galiza. A 11 de Maio o General Sepúlveda, Governador das Armas de Trás-os-Montes revoltou-se e instituiu uma junta a que presidiu.
A revolta alastrou a todo o País. As tropas francesas conseguem debelar alguns focos. Uma intervenção inglesa é então negociada pela Junta do Porto e aqueles desembarcam a 1 de Agosto frente à Figueira da Foz.
A 17 e a 20 de Agosto travam-se os combates da Roliça e do Vimeiro. Vencidos os franceses estes negoceiam a rendição e pela Convenção de Sintra são autorizados a partir com armas e bagagens e o produto dos seus saques …
Chegou entretanto o General Beresford com a incumbência de reorganizar o Exército Português.
A cruenta guerra que se seguiu só terminou em 1814, com as tropas anglo-lusas às portas e Toulouse.

Porque não resistimos?
«Se todos os portugueses fossem como eu não restaria um só invasor…»

Jacinto Correia
Português, fuzilado pelos franceses em 25 de Janeiro de 1808

Como se pode constatar, Junot foi expulso de Portugal ao fim de seis meses. E pode verificar-se que dado o estado depauperado em que ele chegou à fronteira Portuguesa, 2 Batalhões bem adestrados e comandados seriam suficientes para o esmagar na passagem das Talhadas. Mas nunca se encarou seriamente a hipótese de resistência. Porquê?

Fundamentalmente por uma deficiente formação e escolha das elites que nos governam.
Tal facto originou na altura questões que podemos sintetizar em problemas de:
Liderança; Política; Ideologia; Traição; Ordem Psicológica; Derivados do medo

De facto o Príncipe Regente não tinha compleição nem estatura moral, intelectual e psicológica para fazer frente a tão complexos e perigosos desafios. Numa época onde eram requeridas grandes decisões, alguma audácia, exemplo e força de vontade, o futuro Rei mostrava-se tíbio, indeciso, infeliz, sem astúcia nem golpe de asa, mal aconselhado e sofrendo da forte personalidade da mulher de quem se viria a afastar.


Dos principais conselheiros e membros do governo nenhum também se destacou pelos dotes de clarividência e preserverança à excepção de D. Rodrigo de Sousa Coutinho, já mencionado.

Tais características nas principais figuras com peso político no reino originaram que não se concebesse atempadamente uma clara linha de actuação política com objectivos bem definidos, nem se definiram estratégias para os alcançar. Esta indefinição além de gerar confusão de actuação, dúvidas no dever colectivo, impediu que se reforçasse adequadamente o Poder Nacional, nomeadamente a economia, a diplomacia, as forças militares e o Sistema de Informações, indispensáveis aos sucessos futuros e nas mãos de quem queria que houvesse desorganização.

Esta falta de definição de uma política teve também origem em causas ideológicas.
 As sequelas doutrinárias da Revolução Francesa já tinham chegado a Portugal e eram sobretudo disseminadas pelas lojas maçónicas, nomeadamente de rito francês e escocês, em franco desenvolvimento desde o consulado de Pombal, e por vários diplomatas e militares estrangeiros durante a sua passagem por Portugal.

Tais ideias eram fundamentalmente subversivas da ordem política existente e eram transmitidos preferencialmente à nobreza e burguesia cultas e também a alguns sectores da Igreja.

Estas questões ideológicas vieram a resultar, algumas em traição e todas, seguramente, contra os interesses nacionais da altura por terem dado origem a dois partidos: “o partido francês e o partido inglês”.
... Ora só interessava à Nação que existisse o “partido português”…

A questão ideológica não explica por si só o que atrás se afirma. Para tal concorreu também a corrupção de muitas consciências, em grande parte originados na acção de Marechal Lannes e do próprio Junot enquanto embaixadores da França em Lisboa, nos períodos que antecederam a 1ª invasão.

Finalmente adiantam-se causas psicológicas que afectaram a mente de muitas personalidades na Corte e fora dela o que teve a ver sobretudo com o mito criado pela invencibilidade dos exércitos Napoleónicos, sobretudo quando comandados pelo próprio Imperador. Isto gerou os medos mais variados (e sabe-se como o medo é mau conselheiro) e oblinolou por certo o discernimento das decisões.

Porque deveríamos ter resistido?
«O peso da mochila do soldado é
 incomparavelmente
mais leve que o peso das grilhetas do escravo».

Eisenhower

Em primeiro lugar é necessário começar por dizer que resistir a quem nos assalta a casa, neste caso a casa portuguesa, é um direito e um dever de todos os nacionais, a começar pelos mais responsáveis.
É uma questão de princípio.
Em segundo lugar por uma questão de Honra. Por muito deletérias que sejam as ideias e a moral de uma época, o conceito de honra agiganta-se sempre bem alto pela sua excelência e altivez. Transportando isto para a Instituição Militar, um Exército só se deve render quando esgotada a sua capacidade de lutar e morrer faz parte do Dever Militar, por mais que espíritos desorientados trocem da questão ou tentem inventar guerras sem mortos.
Depois porque a resistência permite o reforço da coesão e o moral nacional.
A “alma” de uma Nação tempera-se e reforça-se nas agruras e nos feitos praticados em conjunto. Em 1800 os portugueses já tinham um lastro longo de uns e de outros.
Em seguida, porque permite aumentar a nossa capacidade de negociação em termos diplomáticos, tanto durante como após o conflito. E permite a garantia dos nossos direitos, aumentando a autoridade moral.
Esta Autoridade moral diz-nos que devemos resolver de uma vez por todas este problema instalado no seio da nossa Pátria...resistindo
 Quando o Major de Engenharia Talaya com apenas 30 homens defendem a praça de Campo Maior durante 10 dias contra uma Divisão francesa, em 1811, nada há a temer, tivemos resistência.
Quem consegue fazer as Linhas de Torres Vedras, em 1810, com 108 fortes, 151 redutos, revelins e batarias, entre a Foz do Lisandro e Alhandra e guarnecê-los com 1067 peças de artilharia e 68000 homens, também teria conseguido organizar mormente a defesa em 1807, se tivesse havido vontade para isso.
Quem tem no seu seio um punhado de gente, como aqueles pescadores de Olhão que decidiram atravessar o Atlântico Sul num pequeno barco de pesca, inapropriado para o efeito, só para irem dar a notícia da expulsão dos franceses de Portugal, ao seu Rei, não há que temer opor resistência seja a quem for. E ao dito de Napoleão após a batalha de Wagram, afirmando não haver em toda a Europa infantaria como a Portuguesa, julgo que não é preciso acrescentar mais nada, pois não pode haver mais abalizado e eloquente elogio.
O Exército e o povo não se bateram no início da 1ª invasão francesa apenas e pela simples razão de que ninguém lhes deu ordem. E é nisto que reside a nossa maior vulnerabilidade como Estádo/Nação desde que o filho de Henrique de Borgonha individualizou e alargou o Condado onde ainda hoje vivemos.


Conclusão

«Com quem saiba conduzi-los, eles irão a toda a parte e combaterão quem se quiser …; marcharão sujeitando-se às maiores fadigas, sem um murmúrio, e vivendo apenas de pão e água com um dente de alho como condimento…»
Diogo Ferrer,
Oficial do Exército Britânico
(sobre os soldados portugueses, século XVIII)

A Geopolítica, cujos factores primordiais, são a Geografia e o carácter da população, sempre condicionaram, condicionam e condicionarão o “status quo” político, estratégico e social da Nação Portuguesa.

Caros leitores:

Já há muito que devíamos ter aprendido, entre muitas coisas, que é fundamental prepararmos e seleccionarmos as elites que nos governam para serem esclarecidas e patriotas que tem que se ter muito cuidado com toda a sorte de ideologias que não são conformes à matriz nacional e ao estado de desenvolvimento cultural medio da população, em cada época, ou pura e simplesmente são erradas e maléficas.
As virtudes morais e cívicas têm que ser cultivadas sem desfalecimento; que as leis têm que ser adequadas às pessoas em que se aplicam; que o desenvolvimento lento e sustentado é preferível a eventuais soluções de ganho rápido e desgarrados no tempo e no espaço; que não se deve gastar mais do que o que se produz; que quanto mais dobramos a cerviz, mais mostramos o fundo das costas,etc.
Mas, por estranha maldição, não somos capazes de aprender.

Só os povos que sabem resistir ficam na História e fazem a História. Os outros serão pasto de vontades alheias e olhados com um misto de indiferença e comiseração e isto é no que se está a tornar Portugal.
Mas para sermos donos do nosso futuro temos que reflectir constantemente sobre o passado para podermos aprender com os erros e acertos que nele se espelham.
Os portugueses já têm antiguidade mais do que suficiente como povo e uma vivência rica de acontecimentos os mais variados para poderem transformar as notícias em informações, estas em conhecimento que dão em seguida origem a sínteses de saber. Saber estar, saber fazer e saber prever.

Infelizmente e olhando a praxis política contemporânea e seus principais actores verifico que não se tem conseguido nada disto, a não ser a insistência nos erros.

Quero alertar, no entanto, que não parece terem minguado os potênciais “Napoleões” que nos rodeiam.
Já, porém, dificilmente vislumbro porto seguro para onde retirar noutra emergência.

Fontes;
João José Brandão Ferreira
TCor Pilav (Ref

Boletim do Arquivo Histórico Militar nº 46.
Valdez dos Santos, “A Viagem da Família Real para o Brasil”, pag. 5.
Valdez dos Santos, obra citada, pag. 5.

Nuno Guerreiro

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Portugal Maçónico 1

A maioria de vós, sabem que Lisboa é uma cidade com bastante património arquitectónico de imenso valor cultural.
Todos aqueles que já passearam por Lisboa, repararam nas imensas estatuas de Deuses e Deusas nas fachadas do edifícios mas quantos de nós, já parararam para se questionar o que representão? Quem foram seus autores?
A maioria dos Portugueses sabem que em 1755 ocorreu em Lisboa um enorme terramoto que devastou quase por completo toda a baixa de Lisboa.
Tendo a baixa de Lisboa ficado completamente arrasada, iria ficar em aberto, uma imensa obra de reconstrução que a Maçonaria através do Marquês de Pombal, se encarregaria de re-erguer dos escombros,  utilizando para isso todo um conceito de Arte Real,Simbolismo Oculto, Geometria Sagrada e Alquimia.
Desvendando a Lisboa Maçonica

Sebastião José Carvalho e Melo, que popularmente ficou conhecido por Marquês de Pombal, reconstruiu a Lisboa no pós terramoto à proporção de um grande templo e, segundo alguns autores e especialistas na matéria, à luz da Geometria Sagrada, tendo como cálculo base o Nº de ouro – 0,618033989… - ou seja, foi com base nesta proporção perfeita, que toda a baixa foi reedificada.
Assim, Lisboa actual em comparação com a Lisboa de antes do terramoto de 1755, e tendo como ponto de medida o eixo que divide a actual Rua Augusta, o mesmo foi rodado 13º em relação ao Norte.
Partindo deste pressuposto, somos levados a respeitar o elevado valor filosófico-hermético que orientaram os trabalhos de quem se dignou a erguer tamanha obra.



Terreiro do Paço

LISBOA: Decifrando Lisboa - (Lis+Boa) - teremos a resposta para a sacralidade expressa no seu nome. A Flor de Liz, símbolo de Iniciação e Mistério, representa o Sol Tríplice ou Santíssima Trindade, traduzida na figura pontifícia e imperial de Melki-Tsedek.
O termo “Boa” além de designar a “água” designa também a coluna salomónica Boz ou Boaz, pilar de Deus sito aos pés do Tejo, no Cais, portanto lugar representativo da cidade. Indicando a Beleza Universal, nela está a Força e o Rigor com que termina o nome de Lisboa e nessa coluna, a cidade de Lisboa, aos pés do Tejo finda.

Lisboa
Cidade das 7 colinas

AS SETE COLINAS: Lisboa, como todas as cidades de sete colinas, Jerusalém e Roma por exemplo, é considerada pela Tradição Teúrgica uma urbe sagrada.



Panorama de uma das 7 colinas


Praça do comércio

PRAÇA DO COMÉRCIO - A ENTRADA DO “GRANDE TEMPLO”
A Praça do Comércio ou Terreiro do Paço foi construído segundo o sagrado Livro de Thot, mais conhecido pelo nome de Tarot.
   
Cais da Colunas
O CAIS DAS COLUNAS: Para quem entrava por mar, a entrada no “Grande Templo” fazia-se pelo Cais das Colunas. Colunas essas tão caras à simbologia maçónica e que aqui poderão representar as colunas doTemplo de Salomão, as Colunas B e J, Boaz e Jaquin respectivamente.
As duas colunas sintetizam as duas polaridades de rigor e misericórdia, de força e beleza. A coluna B significa a força e a coluna J a estabilidade.
A coluna é um dos elementos fundamentais da arquitectura, assegurando a solidez e a estabilidade de suporte do edifício. Existem diversas referências que consideram as Colunas B e J como uma representação das colunas antediluvianas construídas para salvar os aspectos essenciais da ciência e do conhecimento, simbolicamente toda a Praça do comércio se encontra "Entre Colunas".
P.S - Na Maçonaria "Entre Colunas" quer dizer - Em Segredo, entre Irmãos .'.

Torreões dos Ministérios

TORREÕES DOS MINISTÉRIOS: Quem estiver no Cais das Colunas e de costas para o Rio Tejo observa a oriente e a ocidente os torreões dos ministérios, simbolizando igualmente as Colunas B e J. Aliás, pormenor que pode ser observado por foto aérea ou em planta e onde se pode reconhecer o desenho dessas letras.
Arco da Rua Augusta

ARCO DA RUA AUGUSTA: Deixando toda a praça para trás temos pela frente o Arco da Rua Augusta, arco esse suportado por duas imponentes colunas.
Este obra de arte tem um profundo significado esotérico. Todas as cidades alicerçadas sobre sete colinas possuem o seu Arco do Triunfo ou da Salvação. O de Lisboa é a síntese sagrada e também estética dos demais espalhados pela Europa e Médio-Oriente. Designa o Umbral dos Mistérios, a passagem das trevas para a Luz, da morte para a Imortalidade, que a Sabedoria das Idades concede
Esquina d rua d São Nicolau

Nº 17, O ARCANO DA "ESTRELA DE MAGOS"
Portugal, país sob o biorritmo do valor 17, o Arcano da "Estrela dos Magos", é em termos astrológicos guiado por Peixes e Júpiter, enquanto Lisboa é regida por Balança e Vénus, que por sua vez tem na águia o seu símbolo supremo. É exactamente essa águia que encontramos no cruzamento da Rua de S. Nicolau com a Rua Augusta, na esquina, e configurando o Nascimento para a Luz Augusta, indicadora da Perfeição Humana.
Na quadrícula da Baixa, sete ruas longitudinais cruzam-se com sete ruas transversais, intersectadas por três praças: assim se encontra, de novo, 17, o número da "Estrela dos Magos". E os nomes das ruas remetem para a terminologia alquímica - Rua do Ouro, Rua da Prata - que tem o seu desfecho na arquitectura da Praça dos Arcos.










OS ARCOS DO TERREIRO E OS ARCANOS DO TAROT
Passadas que foram as colunas de entrada no templo, encontramo-nos no centro do Terreiro do Paço. Em nosso redor temos um fabuloso conjunto arquitectónico de edifícios, edifícios esses adornados de arcadas em todo o redor. Como nada neste local foi deixado ao acaso, e porque a reconstrução da cidade foi feita por nomes ligados à maçonaria (Karl Mardel, Manuel da Maia e Eugénio dos Santos), tudo tem um propósito bem vincado, apesar de alguma secreta discrição. Contando todos os arcos, reparamos que totalizam 78 arcos. Poderiam ser mais ou menos, mas não, são exactamente setenta e oito arcos.

Pormenorizando agora a contagem, os arcos estão distribuídos da seguinte forma:
À esquerda da Rua Augusta – 11 arcos, à direita a Rua Augusta – 11 arcos, o que totaliza 22.
A ladear a Praça temos de cada lado 28 arcos, totalizando 56.
Perante estes dois conjuntos de números, 22 + 56, vamos seguir este raciocínio:

O Livro de Thot, (Tarot) é, como se sabe, constituído por 78 cartas ou lâminas, originalmente de ouro fino ou crisopeico e prata argiopeica, pertencendo as primeiras 22 lâminas aos Arcanos Maiores, ou Esotéricos, e as restantes 56 aos chamados Arcanos Menores, ou Exotéricos. Existe uma intencionalidade na própria arcaria do Terreiro do Paço ultrapassando, sem dúvida, a sua função estrutural da sua arquitectura. Os edifícios laterais contêm 28 arcos cada um, cuja soma total é de 56 arcos, ou Arcanos Menores.
Na fachada principal, à direita e à esquerda do Arco da Rua Augusta, contamos, por outro lado, 22 arcos, 11 em cada direcção. Ora 22 arcos correspondem, exactamente, ao número dos 22 Arcanos Maiores ou Iniciáticos.
Se aplicarmos a cada arco o arcano que lhe corresponde, obtemos a chave interpretativa de um ciclo completo de manifestação: relativamente aos 56 arcos, a manifestação profana, e quanto aos 22 arcos frontais, entre as Rua do Ouro e da Prata, a realização oculta.

Nota: Datado de 30.7.1951 e extraído da obra do Prof. Henrique José de Souza, O Livro do Loto, uma pequena nota que suporta algumas das teses sobre o que atrás se escreveu:

“…Repare-se como o Arco da Rua Augusta se parece com o do Palácio da Aclamação, na capital baiana. VIRTUTIBUS MAIORUM (melhor dito, MAJORUM), é o lema da Rua Augusta. De cada lado do referido Arco da Rua Augusta, figuram 11 portais. Ele é, portanto, o 23.º, como primeiro Arcano Menor. A estátua do frontispício, na sua parte mais alta, coroa um Homem e uma Mulher. Em baixo também se fala num DOCUMENTO P.P.D., que antes deveria ser L.P.D. Deve ser um lema latino referente a PORTUGAL”.
 
 
ESTÁTUA DE EL-REI D. JOSÉ À IMAGEM DE S. JORGE
Num pequeno exercício interpretativo podemos descobrir para além do simbolismo superficial e explorar o verdadeiro significado da escultura que embeleza a bela praça da baixa pombalina. Até porque, quer quem idealizou, quer quem esculpiu, possuía no seu carácter a arte e o saber iniciático de confrarias esotéricas, fossem elas (Neo) Templárias ou Maçónicas.
O cavaleiro da estátua, empunhando o ceptro imperial mandatário e cobrindo-se com um manto, semelhante aos que usavam os cavaleiros da ordem de Cristo e cuja montada branca esmaga a seus pés as vis serpentes, eternos símbolos de forças inferiores e demoníacas, sugere ser a própria imagem de S. Jorge, o Vigilante Silencioso da Pátria Lusitana. É curioso observar que D. José traja da mesma forma que os imperadores romanos. Todos estes aspectos nos remetem para a sacralidade o seu portador. Igualmente curioso, é observar que o cavaleiro possui uma farta cabeleira em cachos soltos, dando um aspecto de uma personagem do Norte da Europa.
Se recuarmos ao cerco da cidade de Lisboa, pelas tropas de D. Afonso Henriques, sabe-se que alguns templários estiveram envolvidos na preciosa ajuda da tomada da cidade. Estes cavaleiros eram na sua maioria oriundos de Inglaterra. No campo de batalha, estes cavaleiros ingleses, gritavam o nome do seu santo protector – Saint George – sendo que a infantaria de D. Afonso Henriques os seguia nesses cânticos aquando dos assaltos à cidade. Adoptando este grito e adaptando-o à língua portuguesa, rapidamente passou a ser o Santo a quem todos atribuíram a libertação da cidade de Lisboa, dos infiéis e das tais serpentes. De Saint George a S. Jorge, salvador da cidade, foi algo que ocorreu naturalmente. Interessante Ainda o facto de que na maioria das representações de S. Jorge, é comum vermos um santo cavaleiro de longos cabelos loiros, a cair em cachos sobre os ombros, numa montada branca a exterminar algum réptil.

 UMA PERSPECTIVA MAÇONICA DAS RUAS DA BAIXA POMBALINA
Passeando agora calmamente pelas ruas da baixa, podemos também questionar qual o seu significado.
Vejamos agora o que nos reservam as três ruas que compõem o conjunto do Grande Templo, não sem antes passarmos pelo nomes, Ouro, Prata e Augusta.

OURO: O Ouro puro, objectivo alquímico final era representado pelo glifo(1) do Sol. Quando pensamos em ouro, pensamos também em luz,pensamos em dia, em força que por associação nos leva a elemento masculino – Homem. (1) – Glifo: Círculo com um ponto no meio

PRATA: Na Alquimia, a Lua simboliza um outro metal importante, a prata. A prata era tida como feminina e lunar pois é frágil e por corroer-se facilmente sendo colocada em contacto com qualquer ácido ou agente agressivo (masculino). Outro processo que estava associado ao símbolo lunar é a “Unio Mystica”, processo onde a prata é acrescentada à obra alquímica que objectiva o ouro (sol). Esta união é o que na astrologia chamamos de preencher as carências da Lua através do Sol.
Assim, pensar em prata é pensar em Lua, escuridão, negro, noite, obscuridade, passividade, emotividade, em Mulher.

AUGUSTA: O que será algo augusto? Augusto significa ser-se supremo, ser-se superior, o mais importante.
Uma pequena passagem histórica pode interligar estes três elementos da toponímia da baixa pombalina:
Segundo os cânones diplomáticos, Pombal regressa a Lisboa em 21 de Dezembro de 1743. Em 14 de Setembro de 1744 recebe instruções de embarque para a corte de Viena onde chega em 17 de Julho de 1745. É nessa cidade que é iniciado maçon por influência do Imperador Franz I, um dos maiores maçons da Germânia.
Então o que é um Imperador senão uma Augusta e Suprema persona. Como maçon que era, Marquês de Pombal, e prestando obediência ao imperador, figura por quem nutria elevada estima e respeito, decidiu homenagear com a Rua Augusta, simbolicamente, a sua imponente figura, ladeadas por tão importantes símbolos maçónicos, o Sol e a Lua.

Um pequeno trecho do Livro de José Braga de Gonçalves "O Maçon de Viena", ilustra-nos pouco mais sobre a simbologia maçónica oculta nas ruas da baixa:

“(…) Assim se satisfaziam todos os gostos e requisitos maçónicos no tocante a pares de colunas à entrada do Templo-alto: duas para quem vem do Tejo, duas para quem entra na praça por terra e duas, monumentais e apenas visíveis na planta geral, demarcando a antecâmara da Cidade-Templo, a Praça do Comércio.

Fosse por onde fosse, passando duas colunas, surgiam em frente as três portas frontais do Templo de Salomão: a do meio para os Mestres e, de cada lado, uma para os companheiros e outra para os aprendizes, formadas pelas embocaduras das ruas Augusta, do Ouro e da Prata.
Depois, franqueando aquelas, surgiam três fiadas de prédios dispostos horizontalmente, por oposição aos seguintes cinco, dispostos verticalmente.
A interpretação tornava-se subitamente cristalina.
As três primeiras fiadas de prédios na horizontal representavam os três passos de entrada em Loja do aprendiz, passos ritualmente curtos e receosos ante o desconhecido.
As outras cinco fiadas de prédios, dispostos na vertical, significavam os cinco passos de entrada em Loja dos companheiros. A soma dos dois dava o número de passos de entrada em Loja dos mestres. (…)”


O CADUCEU DE MERCÚRIO

No entanto, se nos quisermos soltar um pouco da simbologia maçónica e olhar para todo este complexo conjunto de simbologia, podemos observar o seguinte:
Do Terreiro do Paço partem as principais artérias: Rua Augusta, Rua do Ouro e Rua da Prata. Quando dizemos artérias aplicamos o termo próprio, pois é de artérias que se trata. As Ruas do Ouro e da Prata, com a Rua Augusta, representam o caduceu de Hermes, ou de Thot, e como é sabido, o caduceu compõe-se duma coluna central em torno da qual sobem duas serpentes, uma dourada e outra prateada, respectivamente uma solar e outra lunar. As duas serpentes significam igualmente as duas energias fundamentais do universo, os contrários que se contemplam, atraem e repelem.
Estas serpentes representam e são as artérias pelas quais flui a energia serpentina vital, desdobrada nos seus dois aspectos complementares: o lunar que é frio e passivo, enquanto o solar é quente e activo.
Na simbólica tradicional o ouro expressa o Sol e a prata a Lua. Torna-se claro que a Rua do Ouro corresponde ao aspecto solar do caduceu, a Rua da Prata ao lunar e que, finalmente, a Rua Augusta simboliza o bastão central, canal de fusão e síntese destas duas forças polares.
Através do caduceu pombalino temos acesso às sete colinas ou selos da Boa Liz: S. Vicente, em Alfama; St.º André, na Graça; S. Jorge, na Mouraria; S. Roque, no Bairro Alto; St.ª Catarina, a partir do Camões; Santana, sobre o Largo da Anunciada, e Chagas, no Carmo. Interpretar estes sete padroeiros é interpretar o enigma críptico de Lisboa…

Retirado de;
http://lusophia.wordpress.com/

Penso que tudo este Oculltismo,toda esta simbologia descrita, não deve ter sido feita só por capricho,existe conheçimento por trás de toda esta arquitectura que continuando oculto,de certa forma,deve servir para algo.
Não será á toa que toda a base do Poder Governativo se mantém desde essa altura neste local..aqui se reunem todos os Ministérios Governamentais.
No Próximo Capitulo, escreverei,como e quando a Maçonaria implantou a suas doutrinas em Portugal, tendo o dominio absoluto a partir daí.

Proximo capitulo-  1ª invasão Francesa.


Nuno