Portugal Maçónico 3
Em
1802 tinha sido a
Fundação da grande loja maçónica Portuguesa o Grande Oriente Lusitano, portanto aquando da
Invasão Francesa, já muitas informações haviam passado
entre um dos lados e outro.
A partir deste momento e após a presença do «
partido francês», no governo português, é reforçada com a ascensão de
António de Araújo Azevedo à
Secretaria dos Negócios Estrangeiros.
A
11 de Dezembro de 1804, é efectuado o
Tratado de amizade e fraternidade entre as duas obediências:
os Grandes Orientes de França e Portugal.
Em
1816, Foi eleito
3.º Grão-Mestre da Maçonaria Portuguesa Gomes Freire de Andrade. A eleição reflecte o prestígio do ex-comandante da Legião Portuguesa.
Portanto,já aqui se notava a influênçia que a
Maçonaria exercia sobre cargos decisivos no aparelho de Estado.
Em
1817 a criação em Lisboa da conspiração da
Sociedade Secreta e paramaçónica revolucionária (Supremo Conselho Regenerador de Portugal, Brasil e Algarves), com o objectivo de afastar Ingleses e outros estrangeiros do controlo militar do país e de promover a «
salvação e independência» de Portugal através da formação de um novo governo. Os membros desta sociedade eram, na sua maioria, militares regressados a Portugal, depois de prestarem serviço no exército
Napoleónico, e Maçons, como carismático
grão-mestre, general Gomes Freire de Andrade.
A teia revolucionária é descoberta pelas autoridades Portuguesas e Inglesas e os seus responsáveis são severamente julgados, sendo deportados, exilados e, os mais importantes, condenados à morte e executados por enforcamento, o que veio a acontecer ao General Gomes Freire de Andrade, tido como o líder da conspiração...
Após esta descoberta, em Março,
sai um Alvará publicado por ordem dos governadores de Lisboa, depois do consentimento do rei D. João VI, proibindo as sociedades secretas, em Portugal, esta medida social integra-se no contexto da política repressiva das autoridades portuguesas e inglesas contra os partidários da mudança para um regime liberal, genuinamente português.
Após quase todo o Sec XIX entre tomadas de poder e varias invasões por parte dos franceses em Agosto de
1897 dá-se a criação da
Carbonária Portuguesa por
António Augusto Duarte da Luz Almeida. Associação paralela da
Maçonaria, esta pretendia ser uma agremiação filantrópica, filosófica, mutualista e apartidária, aquela apontava para a prossecução de objectivos politico-conspirativos. Parece ter sido introduzida em Portugal após a Revolução de 1820, tendo tido grande actividade durante a primeira metade do século, altura em que entra num longo marasmo até ao início da década de
90. Renasce com a indignação nacional subsequente ao
Ultimatum Inglês e progressivamente vai-se aproximando dos meios anarquistas e republicanos radicais. Estará por detrás da tentativa de implantação da República em
1908 e dos acontecimentos de
1910.
Entre
1900 e
1906, os vários ministérios enveredaram por caminhos de centralização e repressão do poder. Num total de sete anos e nove meses, as Câmaras mantiveram-se encerradas durante seis anos e três meses. Para além do encerramento das Câmaras, procedeu-se ainda a supressão de jornais, dissolução de câmaras municipais, intervenção violenta das polícias, deportação para as colónias de anarquistas, etc.”,
Realiza-se, em Coimbra, o
Congresso do Partido Republicano. No princípio do século, os efeitos da repressão monárquica, por um lado, e as dissidências no seio do partido, por outro, levaram a alguma quebra de actuação no movimento
republicano. Desta forma, no Congresso de Coimbra, foram retirados os poderes ao
Directório e entregues a três juntas directivas (
norte, centro e sul), medida que parece ter animado, de alguma forma, os organismos de base. A agudização dos conflitos sociais, momento propicio à acção da propaganda, irá favorecer ao longo da década o esforço de reorganização do partido.
A
28 Janeiro de 1908, Dá-se a
1ª tentativa de golpe revolucionário para derrubar a Monarquia. A acção repressiva da ditadura provocara uma mudança na definição da estratégia do
Partido Republicano. Gradualmente, a linha que defendia a acção revolucionária imediata foi ganhando terreno face a linha mais moderada. Esta redefinição de estratégia leva a aliança com outras forças das quais se destacam a
Carbonária,
entre os civis, e a
Corporação dos Sargentos, entre os militares. Uma denúncia levou a prisão dos principais chefes:
Luz de Almeida,
Afonso Costa, Egas Moniz, João Chagas, e António José de Almeida, que mantivera Os contactos entre o
Directório do Partido Republicano Português e a organização revolucionária. Privado dos seus principais chefes, o movimento veio para a rua mas foi sufocado pelas forças fiéis ao governo
Fevereiro de 1908, o ano iniciara-se com a prisão indiscriminada de vários chefes republicanos e
Maçons(
António José de Almeida, Afonso Costa, etc.). A agitação que se ia tornando irreprimível, a ditadura continuava a responder com a repressão.
No Terreiro do Paço o rei D. Carlos e o Príncepe Real são abatidos a tiro.
Lisboa, 1 de Fevereiro de 1908
Eram
5 e 30 da tarde, quando a carruagem que transportava o
rei, a rainha e os príncipes, regressados de
Vila Viçosa, voltava do
Terreiro do Paço para a
Rua do Arsenal, soaram tiros. Um popular aproximou-se da carruagem descoberta e
desfechou uma carabina sobre o rei.
A rainha, o príncipe real D. Luís Filipe e o infante D. Manuel levantaram-se para proteger
D. Carlos mas
dois novos tiros disparados por outra individuo atingiram mortalmente
D. Luís Filipe. D. Manuel ficou ferido num braço. A rainha procurou afastar os agressores, o cocheiro fustigou os cavalos e entrou, com a carruagem crivada de balas, no pátio do
Arsenal.
Os regicidas,
Manuel da Silva Buíça e Alfredo Luís da Costa, foram imediatarnente abatidos. Um oficial de ourives,
José Sabino Costa, que ia colocar uma carta no correio, foi tido também como regicida e morto por engano.
Os vários tiros disparados no local feriram alguns populares, que tiveram de ser socorridos.
À noite,
os cadáveres do Rei e do príncipe foram levados, sob escolta, para o
Palácio das Necessidades, onde foram recebidos pelo médico de serviço,
D. Tomás de Melo Breyner.
TODOS FALAM MAS...NINGUÉM SABE !
Lisboa, 16 de Março de 1908
O regicidio tem dado origem às mais desencontradas versões. O presidente do Conselho de Ministros,
Ferreira do Amaral, informa
D. Manuel das diligências que as autoridades efectuaram para apuramento dos factos: «
Tem-se chamado a depôr sobre o crime de 1 de Fevereiro toda a gente que, em jornais ou conversas, diz saber muita coisa, mas que chega ao interrogatório e responde que repetiram boatos e nada de positivo se apura. Dizem que havia mais do que os dois assassinos mortos metidos no complot; quando se lhes pergunta quem eram nada afirmam, nem sequer a cor do fato dos que a mais diziam existir. Clarissimamente não há dúvida de que não eram só dois; o que facilmente se apura do tiroteio havido, mas também tal tiroteio em parte pode ser atribuído a confusão de uma situação que não era presumível, dados os hábitos dos portugueses. Tudo isto é para Vossa Majestade ficar certo de que se não tem querido encobrir pessoa alguma, como parece que alguém tem interesse ( claro que a Maçonaria tinha todo o interesse) que se diga, uma vez que insinuam em conversas e até em sueltos jornalísticos.
Espalhou-se um boato de que houvera um inglês que dizia a toda a gente que o assassino Buiça tinha num banco em Inglaterra 6000 libras as suas ordens. Pergunta-se quem é esse inglês e ninguém o diz; pergunta-se qual é a figura, estatura ou idade provável desse inglês e ninguém sabe; insta-se para que se diga que sítios frequenta e nada se apura e nada se responde, e o inglês continua a ser um mito, uma razão para um boato, para cansar a polícia em indagações. Chego a persuadir-me que são os próprios assassinos cúmplices que propalam os boatos para desnortear os juizes.»
O regicídio na imprensa estrangeira
Roma, 17 de Novembro de 1909
O jornal
Corriere d’Italia escreve um texto sobre os acontecimentos políticos em Portugal, onde se afirma:
«
O Buiça e o Costa eram republicanos militantes: trabalhavam nas últimas filas dos revolucionários.
Livres pensadores, pertenciam à sociedade de propaganda donde teram saído todos os criminosos políticos. Homens de acção, pertenciam a uma loja secreta, a ”Montanha”, misto de instituição maçónica e de comité revolucionário, sem local fixo e sem estatutos, que se reúne a um simples convite dos jornais da seita, ninguém sabe aonde e que se compõe de homens capazes de tudo. Tudo deixa crer que o regicidio foi ali deliberado e que, como é costume, os executores foram tirados à sorte, visto que apenas o sorteio explicava a escolha de um dos regicidas, cujo passado se não ilustra com actos de grande coragem individual.
Não se chegou a apurar quem foram os cúmplices da emboscada e, se porventura se tentou esclarecer o caso, acabaram por concluir que era melhor guardar silencio sobre ele.»
Em
Março a queda do ministério de
João Franco, que não resistiu aos ataques da oposição, por um lado, e as vozes que começavam a responsabilizá-lo pelo
regicídio, devido à publicação do
Decreto de 31 de Janeiro, por outro. No dia
5 de Fevereiro seguiu para o exílio abrindo caminho á Constituição do ministério de
Ferreira do Amaral. O primeiro gabinete da chamada aclamação. O novo ministério libertou os presos políticos, autorizou o regresso dos exilados, reconduziu as câmaras municipais, enfim, anulou as medidas mais contestadas do anterior governo.
5 de Abril, realização de novas eleições. O
regicídio, e consecutiva subida ao trono de
D. Manuel II, trouxeram consigo a demissão do ministério de
João Franco. O governo do
Almirante Ferreira do Amaral era constituído por membros dos partidos tradicionais (
regeneradores e progressistas), e alguns independentes. Caracterizou-se, como já referimos, por uma relativa brandura e transigência; o que permitiu o crescimento rápido do movimento republicano que saiu institucionalmente reforçado após as eleições (
elegeu 7 deputados). No entanto, as esperanças de que a breve trecho o partido viesse a ascender ao poder por via eleitoral, eram praticamente nulas.
Em
Abril é também a realização do
1 Congresso Nacional do Livre Pensamento, em
Lisboa. Grupo não católico (à semelhança de outros como a
Maçonaria, a Junta Liberal, a Associação Propagadora do Registo Civil, fundada em 1895, etc.), que se intitulava sem religião, tinha como objectivo fundamental o combate ao
clericalismo, tendência que, como já referimos, se encontrava em franca ascensão.
O Republicano
Consiglieri Pedroso é eleito presidente da
Sociedade de Geografia de Lisboa, uma importante instituição científica. O movimento Republicano, para além de politicamente forte, tendia a dominar as mais importantes instituições de cultura, onde a
Maçonaria infiltrava todos os seus homens de confiança.
Em
Dezembro, dá-se a queda do governo de
Ferreira do Amaral. O novo governo assentava numa coligação e era chefiado pelo regenerador dissidente
Campos Henrique.
A
24 e 25 Abril," veja-se novamente a coincidençia com datas" , é feito o congresso do Partido Republicano Português realizado em
Setúbal onde, pela primeira vez, esteve representada uma organização feminina, a recém criada
Liga Republicana da Mulheres Portuguesas. O crescimento da facção que defendia a acção revolucionária era tal, que do congresso saiu um novo
Directório a quem foi confiado o mandato imperativo de fazer a
revolução. Eram seus membros efectivos
Teófilo Braga, Basilio Teles, José Relvas, Eusébio Leão e Cupertino Ribeiro dos reis, os meses que mediaram entre o congresso de
Setúbal e a Revolução de
5 Outubro, multiplicaram-se os trabalhos de organizaçao do movimento para evitar que se repetissem os malogros de
1891 e 1908.
Ao
Directório foi cometida a tarefa de negociar um comité revolucionário, do qual faziam parte
João Chagas, Afonso Costa, António José de Almeida e Cândido dos Reis.
A comissão executiva da Junta Liberal organiza uma manifestação popular que congrega mais de 100 mil pessoas. Organização paramaçónica de propaganda liberal,
a Junta foi fundada em
1900 com o objectivo de combater o
clericalismo. Tendo à sua frente homens como
Miguel Bombarda, António Aurélio da Costa Ferreira, Egas Moniz, Cândido dos Reis, etc., desenvolveu intensa actividade na propagação dos ideais republicanos, liberais e progressistas.
Realização, no
Porto, do Congresso do
Partido Republicano.
O congresso foi dominado pelo receio de que
Inglaterra não aceitasse a
implantação da República em
Portugal, foi assim eleita uma comissão para sondar as potências europeias sobre a questão.
A 14 de Junho, a
Maçonaria decide, em assembleia geral, nomear uma comissão de resistência» encarregada de colaborar de forma mais activa com a
Carbonária. Dessa comissão faziam parte,
José de Castro, Miguel Bombarda, Machado Santos, Francisco Grandela entre outros.
António José de Almeida e
Cândido dos Reis são os representantes do
Directório republicano.
Então a
4 de Outubro de 1910,
os cruzadores S. Rafael e Adamastor bombardeiam
o Palácio das Necessidades e o Rossio. A escolha dos primeiros dias de
Outubro, nomeadamente o dia, para realizar a revolução dependeu da presença no
Tejo de algumas unidades navais, consideradas indispensáveis para o êxito das operações. O sinal para o início das operações, deveria partir exactamente dessas unidades navais, ao qual responderia
Artilharia I. Mercê de alguma desarticulação entre os vários intervenientes no processo, o sinal não chegou a ser activado, pelo que, face a informações desmoralizadoras e perante o malogro iminente da acção,
Cândido dos Reis suicida-se na madrugada do
dia 4 de Outubro.
Perante incertezas e hesitações as forças revoltosas concentraram-se na
Rotunda, local onde, durante a manhã, foram chegando inúmeros efectivos civis armados pertencentes
a Carbonária e comandados por
Machado Santos, bem como militares rebeldes que iam engrossando e moralizando o acampamento. O bombardeamento dos navios estacionados no
Tejo ao Palácio das Necessidades e ao Rossio, e o receio de um desembarque em massa, acentuou o desequilibro de forças a favor dos revoltosos. Durante o resto da noite de
4 para 5 de Outubro, as forças monárquicas vão esmorecendo.
Em face do desenrolar dos acontecimentos, o Rei foge para Mafra, embarcando depois na Ericeira em direcção a Gibraltar e a Inglaterra, os contactos entre a Maçonaria Portuguesa e Inglesa
A PRIMEIRA REPÚBLICA, O FILME DOS ACONTECIMENTOS
3 de Outubro de 1910
20 horas –
O Almirante Cândido dos Reis, Afonso Costa, José Relvas, João Chagas, António José de Almeida, Eusébio Leko e outros conjurados republicanos reúnem-se na casa da mãe de
Inocêncio Camacho, na
Rua da Esperança, 106, 3º.
Foi combinado, de acordo com planos já estabelecidos, que a revolução comecaria
a 1 hora da madrugada, com uma salva de
31 tiros disparados de navios de guerra surtos no
Tejo. As guarnições desembarcariam depois para iniciar em terra a revolta.
24 horas – Os conjurados reúnem-se no balneário de S. Paulo.
4 de Outubro
1 Hora e 20 – Soam tiros. Contaram-nos. Não eram
31. Pânico entre os revolucionários. Seriam os barcos a pedir auxilio ?
–
Cândido dos Reis é informado no cais, por um oficial da
Armada, de que já havia um regimento na rua, a combater contra civis.
– Afonso Costa, Alfredo Leal e Malva do Vale saem de
S. Paulo para Alcantara, para as imediações do quartel de marinheiros que estava previsto revoltar-se. Silêncio no interior. O quartel está cercado por
Infantaria 1, Cavalaria 4, Cacadores 2.
– Estão na rua
3000 homens fiéis à monarquia com as baterias a cavalo. Instalaram peças nos sítios altos da cidade:
Torel, Graça, Penha, S. Pedro de Alcântara.
– O comissário naval, Machado Santos, com praças da
Infantaria 16, de
Campo de Ourique, ataca o quartel de
Artilharia 1 e apodera-se de algumas peçs.
–
O capitão Sá Cardoso, com um pelotão de
Infantaria 16, leva uma dessas peças para atacar o
Palácio das Necessidades.
– Recontros na
Rua Ferreira Borges com a
Guarda Municipal. –
Macliado Santos, com outra foça de
Infantarin 16, ataca a esquadra da polícia no
Largo do Rato e arma civis.
5 horas – As forças revoltosas, sob o comando de Machado Santos, descem a Avenida em direcção ao Rossio, são bombardeadas, retrocedem para a Rotunda e fecham as entradas para as Avenidas Fontes e Duque de Loulé.
6 horas –
Cândido dos Reis é encontrado morto na
Travessa das Freiras, a Arroios.
Suicidio.
9 horas –
Machado Santos só dispõe de
5 peças de artilharia. Comanda
9 sargentos e 200 homens.
Numerosos civis armados acorrem à
Rotunda para auxiliar
os revoltosos.
12 horas e 30 – Caiem na
Rotunda as primeiras granadas das baterias de
Queluz, comandadas pelo
capitão Paiva Couceiro. As forças leais à monarquia fustigam duramente a
Rotunda.
14 horas –
Os cruzadores S. Rafael e Adamastor começaram a bombardear o
Palácio das Necessidades. O Governo pediu ao rei,
pelo telefone, para se retirar para
Mafra. O rei obedeceu. Acompanharam-no o
Conde de Sabugosa e o
Marquês do Faial. – O tiroteio continua na
Rotunda.
5 de Outubro
6 horas – Fogo dos revoltosos contra as forças do
Rossio. De
Queluz, as baterias de
Couceiro atacam. Começam a desembarcar os marinheiros dos navios de guerra estacionados no
Tejo.
8 horas e 30 –
O ministro da Alemanha dirige-se à
Rotunda para obter um armisticio, a fim de recolher a colónia
Alemã. Leva uma bandeira branca de parlamentário, que a população julga ser o sinal da rendição.
Grandes manifestações de alegria popular.
josé Relva ao Varandim
11 horas –
José Relvas, acompanhado por outros revolucionários, proclama a
República de uma janela da Câmara Municipal.
A CHAVE DO EXITO
Lisboa, Outubro de 1910
O rápido sucesso do movimento revolucionário que instaurou a
República deve-se, em grande parte, a colaboração da
Carbonária, sociedade secreta que actua ligada
A Maçonaria.
Como membro dirigente da
"Alta Venda ", um dos mais importantes centros da
Carbonária,
Machado Santos aliciou muitos revolucionários entre praças, sargentos, marinheiros, operários, estudantes, populares em geral.
O plano de acção foi cuidadosamente montado, como revela, em entrevista a A Capital,
José Barbosa, um dos membros do
Directório do Partido Republicano: «
A aperação agregaora representa um esforço extraordinário. Coincidiu com uma fase activissima da Carbonária, que contava no seu seio, por interferência propagandista do engenheiro Silva, soldados, cabos e sargentos de toda a guarnição da capital. Precisávamos, em cada regimento ou em cada navio, de relacionar os oficiais republicanos com as praças aderentes. Procedeu-se cautelosamente a esse serviço, pondo primeiro em contacto um oficial com um sargento e, depois, o sargento com determinado número de cabos e soldados.»
A República por telégrafo
Lisboa, Outubro de 1910
A noticia da aclamação da
República foi rapidamente transmitida a todo o Pais. Não houve resistência. As populações aderiram entusiasticamente ao movimento de
Lisboa, com toda a normalidade. Constituíram-se comissões municipais electivas republicanas locais e iniciou-se a substituição de símbolos do anterior regime. No
Barreiro, a
Avenida D. Luis Filipe passa a denominar-se
Avenida da República e a
Rua Conselheiro Serra e Moura passa a ser
Rua Almirante Carlos Cândido dos Reis.
No Porto, a aclamação foi triunfal.
O vereador mais antigo,
Dr. Nunes da Ponte, leu da varanda central dos
Paços do Concelho o texto da proclamação e declarou «
perpetuamente abolida a dinastia de Bragança».
Segundo noticia o
Primeiro de Janeiro,
«milhares e milhares de pessoas de todas as classes invadiram as salas da Câmara e foram cumprimentar os vereadores, levando em triunfo alguns sargentos e soldados que se encontravam no meio da multidão.
Foi uma manifestação grandiosa, imponentissima».
A República no outro lado do rio
Lisboa, 5 de Outubro de 1910
O plano revolucionário teve fortes apoios na Outra Banda. Segundo
Machado Santos,
«os republicanos do Barreiro deviam apoderar-se do vapor da carreira, cortar as comunicações com Lisboa e vigiar a beira-mar.
Na Escola de Torpedos, em Vale de Zebro, existiam cerca de 2000 armas e 100 000 cartuchos. Se a revolução não vingasse em Lisboa, a margem sul do Tejo, com o auxilio da Marinha, tornava invencível o movimento.
Setúbal, sob a direcção do Dr. Leão Azedo, com o auxilio da canhoneira, Zaire, devia também proclamar a República».
O projecto foi cumprido. Grupos de civis sabotaram os barcos de passageiros
D. Amélia e D. Afonso. As comunicações ficaram interrompidas e
Lisboa isolada.
A operação em
Vale do Zebro foi mais demorada. Os oficiais e marinheiros só se renderam depois de a
Junta Revolucionária do Barreiro ter conseguido fazer atracar o rebocador
Vitória ao cruzador revoltoso,
S. Gabriel.
Pela telegrafia seguiu a ordem para
Vale do Zebro: «Queiram render-se e proclamar a República.»
Os oficiais cederam, finalmente. Os tenentes
Stockler e Santos Pato, ligados ao movimento revolucionário, assumiram o comando dos
torpedeiros e conduziram-nos para
Lisboa, junto dos cruzadores
Adamastor e S. Rafael.
12 horas e 30. No
Barreiro, o povo ouvia
Ricardo y Alberty e
João dos Santos Pimenta, membros da Junta Revolucionária local, proclamar a
República
È constituido
1º gov provisório presidido por
Teófilo Braga (
Maçon ), professor da Universidade de
Lisboa. A morte de
Miguel Bombarda (
assassinado na madrugada e 3 para 4 de Outubro), e de
Cândido dos Reis (
que se suicidou na noite do diz 5 após a chegada de notícias desmoralizadoras face a forma como decorriam os acontecimentos), e o afastamento de
Basilio Teles, desguarneceram as possibilidades de constituição do elenco governativo. A escolha de
Teófilo Braga, praticamente protagonizada por
Afonso Costa, viria a ser polémica entre os membros do
Directório. Reservas e aposições viriam ainda a ser manifestadas pelos membros da
Carbonária, a quem nenhuma pasta fora atribuída. Seja como for, em menos de um ano, o governo provisório conseguiu cumprir alguns dos pontos principais do programa republicano, bem como consolidar o novo regime, assegurar a ordem pública interna e alcançar o reconhecimento por parte das potências estrangeiras.
Logo no dia
8 de Outubro, o Governo vulgo a
Maçonaria,imitando o
Marquês de Pombal,efectua e ordena a Publicação dos decretos que instituem a expulsão dos
jesuítas e o encerramento dos conventos. São expulsas de Portugal as ordens religiosas. Sendo a laicização do Estado e da sociedade um dos temas fundamentais da propaganda republicana, aliás, monarquia e clericalismo confundiam-se, não admira que uma das primeiras medidas a ser tomadas tivesse como pano de fundo a questão religiosa
Tentando erradicar com rapidez os vestígios do regime deposto o governo provisório tomou algumas medidas, a saber: abolição do Conselho de Estado e da Câmara dos Pares, demissão de funcionários da Casa Real, abolição de títulos, distinções e direitos de nobreza, adopção de uma nova bandeira e hino nacionais, entre outras medidas de carácter liberal, entretanto contrariadas pelo franquismo.
No dia 10,é criada a Guarda Pretoriana do Governo, a
Guarda Républicana mais tarde iria dar origem a
Guarda Nacional Republicana, e extingue a
Guarda Republicana de Lisboa e Porto. Ao ser proclamada a República as Forças militarizadas portuguesas consistiam na
Guarda Municipal (criada em
1834 e regida pala legislação de
1890), a
Guarda Fiscal (regida por decreto de
1901 a 1908) e a
Polícia Civil de Lisboa.
A GNR, extensiva a todo o país, tinha como funções velar pela segurança pública, policiando povoações, estradas, pontes, vias férreas, linhas telegráficas e telefónicas, etc., arcando com o exclusivismo militar das forças armadas. Foi durante anos a guarda pretoriana do novo regime. Depois de 19I9, e até 1922, a
GNR conheceu uma significativa ampliação e capacidade de intervenção na vida pública, Fazendo e desfazendo ministérios e impondo a sua vontade, se necessário, pela força das armas.
26 de Outubro - Decreto que aprova os estatutos da
Academia de Ciências de Portugal. Fundada em
1907 por acção de
Teófilo Braga, a Academia tentava colmatar alguma quebra de produção científica da
Academia de Ciências de Lisboa, bem como um certo
elitismo (
de outra ordem que não eminentemente científico, em que esta havia caído. Tendo como grande objectivo o progresso e a integração filosófica dos principais ramos da saber humano, a Academia viria a ter o seu Regulamento Geral em
27 de Janeiro de
1911. Não tendo correspondido inteiramente ao que dela se esperava, não sobreviveu muito tempo a morte de
Teófilo Braga (
1924).
1 de Dezembro, Inauguração da
Bandeira Nacional Republicana, segundo o modelo de
Columbano Bordalo Pinheiro... mais tarde falaremos sobre esta Bandeira e suas cores.
A
22 de Maio de 1911 é criado o decreto que institui
o escudo como moeda oficial, em substituição do
real. Medida que se insere nas preocupações do governo provisório, em marcar a transição do novo regime com a alteração dos principais símbolos do Estado,
por forma a criar uma barreira psicológica que dificulte qualquer
“restauração”. O escudo dividir-se-ia em cem partes iguais, denominadas centavos. Não se tratava, portanto, de uma reforma monetária, mas somente de uma alteração do processo de conta
Novos símbolos nacionais
Lisboa, 19 de Junho de 1911
Foram fixados por decreto a forma e as cores da
bandeira portuguesa,
verde e
vermelha, com as armas nacionais inscritas na
esfera armilar
Foram discutidos vários projectos, entre outros, o de
Guerra Junqueiro, Delfim Guimarães e Roque Gameiro. As opiniões dividiram-se, favoráveis umas ao projecto de
Junqueiro, que ainda mantinha o
azul e branco, cores tradicionais da
monarquia, favoráveis outras a um simbolo totalmente novo.
A comissão oficial, constituída por
Columbano Bordalo Pinheiro, Ladislau Parreira, João Chagas e Abel Almeida Botelho, aprovou o modelo que passa a representar
Portugal e a República.
A esfera armilar, «
padrão eterno do nosso génio aventureiro», alia-se com o
vermelho, cor da luta pelo futuro colectivo em agradecimento pelos serviços prestados pela
Carbonaria.
A primeira bandeira republicana, fabricada na
Cordoaria, foi hasteada no
Monumento dos Restauradores.
A moeda e o hino também mudaram.
O real foi substituido pelo
escudo e o hino da Carta pela canção patriótica
A Portuguesa, com música de
Alfredo Keil.
Claro que tudo isto foi feito de forma ritualistica pela
Maçonaria Portuguesa, como explicarei no proximo capitulo.